Trechos do livro:

“As lendas do povo judeu” – Wica Iossef Bin Gorion –

APRESENTAÇÂO

A bíblia (antigo testamento) substituía para os judeus, a natureza.

Ao lado de um deus único, ressurge uma multidão de demônios, anjos e espíritos assim como também intermediário de Yahwe e Israel. Após a era bíblica-helenística, começa o período da era autoritária midráshico-talmúdica. Propagou-se pelos escombros da Palestina foi até a Babilônia, pátria original dos israelitas e até a África e Europa.

O talmud e o midrash, são seguidos até hoje.

A germinação de lendas tratou de ser fiel aos textos hebraicos e aramaicos. As partes mutiladas difíceis de serem traduzidas ao pé da letra foram alteradas. Quanto à ortografia dos nomes próprios não foi possível adotar um princípio uniforme bem como no que tange ä tradução fiel do nome de Deus.

Índice

1.dos primórdios dos patriarcas e as doze tribos

2.Sobre Henoc

3.Dos anjos caídos:

  1. A geração ímpia (gigantes)

5.livro de Adão

6. A arca de Noé(pág 90)

Gênese judaica

***exemplos de palavras judaicas e árabes***

Primeira parte “dos primórdios dos patriarcas e as doze tribos””

-Ó senhor do mundo! Os céus ficam perto de ti e se deletam no esplendor de tua glória, são também alimentados e na tua mesa e a morte jamais penetra em seu reino. Por isso cantam a mim, porém, mantém longe de ti o meu alimento. Entregaste ás mãos do céu e o que sobre mim se encontra está consagrado á morte, como pois não haveria eu de chorar?

O senhor falou:

-Não te aflijas terra, pois algum dia também estarás entre os que cantam e cantos de louvor hão de ressoar de teu extremo.

O mundo era somente água. Sobre a água, o espírito de deus pairava sobre as águas então Deus fez a neve da água e da neve a terra.

A terra era Tohu e Bohu, deserto e vazio e as trevas cobriam o abismo.

Deus fez duas grandes luzes: o Sol e a Lua

A Lua falou:

-Ó senhor do mundo! É justo que dois reis utilizem uma só coroa?

Ao que o Senhor retrucou:

-Vai e torna-te a luz menor!

A lua disse:

-Devo-me tornar menor só por que disse uma palavra acertada?

  1. Sobre Henoc.

Jared o filho de Malaleel, foi o pai de Henoc. Acerca de Jared conta-se que em seus dias os anjos desceram do céu para a Terra e indicaram äs criaturas a maneira de servir ao Senhor.

Henoc gerou Matusalém. Henoc seguia com Deus e odiava as maneiras ímpias dos homens pois sua alma vivia na virtude e no saber. Em sua sabedoria, mantinha-se isolado e oculto dos homens.

E aconteceu que uma vez Henoc rezava ao senhor no quarto e um anjo o chamou do céu e Henoc respondeu:

-Aqui estou.

Então o anjo disse:

- Levanta e sai do lugar de onde te ocultas. Vai para perto dos filhos do homem, para indicar-lhes o caminho que deverão executar.

Henoc obedeceu a ordem divina e deixou a região. Procurou homens e lhes revelou que quem quisesse conhecer os caminhos de Deus e sentisse prazer nas boas ações deveria vir a Henoc. E Henoc tornou-se rei sobre os homens e eles se prostravam diante dele e o ouviam.

Quatro gerações após Adão levantou-se Henoc, filho de Jared que havia compreendido o temor divino e seguia um caminho puro. Lavava-se e se santificava em água corrente e apresentava todos os seus apelos ao criador. Então em sonho lhe foi revelado o lugar onde se encontrava oculto o livro de Adão e lhe foi revelado a maneira correta de como proceder com ele.

Henoc partiu bem cedo, foi à caverna e lá permaneceu até depois do meio dia . Orou ao Senhor, louvado seja seu nome, e compreendeu o puro nome do Senhor, o nome de Deus. Depois, separou-se dos habitantes da Terra e nunca mais foi visto, pois Deus o havia levado. Contudo sabia que as gerações que estavam por vir não teriam a força de suportar o livro, pois era formidável e magnífico. Assim o escondeu e ele ficou oculto até a vinda de Noé, filho de Lamec, um justo e inocente de sua estirpe.

Henoc filho de Jared fabricava sapatos para os homens, mas em cada ponto que dava no couro estava junto ao Senhor. Um chamado chegou a Henoc, para que fosse ao céu e lá se tornasse o rei dos filhos de Deus assim como na Terra, tinha se tornado rei dos filhos dos homens. Ao ouvir estas palavras Henoc reuniu todos os filhos da Terra ao seu redor e disse-lhes:

-Um chamado veio á mim para que eu vá ao céu, mas não sei o dia em que vos deixarei, assim vou ensinar-vos mais uma vez, a virtude de Deus.

E lhes deu justiça e leis, que deveriam praticar na Terra. Instituiu a paz entre eles e os instruiu sobre a ordem do mundo.

Mas um dia os homens que estavam sentados ao redor de Henoc, levantaram seus olhos e viram a figura de um cavalo descer do céu. E Henoc falou:

-Este cavalo desceu por minha causa. Chegou o dia em que devo partir. E Henoc montou no cavalo e foi embora.

800 mil homens seguiram-no e o acompanharam durante uma jornada. No dia seguinte Henoc disse-lhes:

-Voltai para as casas vossas! Não me acompanheis nenáo tereis de morrer também. Então, uma parte deles voltou, mas o restante o acompanhou ainda durante seis dias. Diariamente Henoc lhes dizia:

-Voltai para vossas tendas para que não pereceis!

Mas eles não queriam voltar ao passo que, os restantes se juntavam ainda a Henoc e falaram :

-Aonde tu vais nos também vamos, como é certo que Deus vive, somente a morte nos irá separar.

Como insistiam em acompanhá-lo, ele não tentou mais dissuadi-los e eles o seguiam. Mas no sétimo dia, Henoc partiu numa tempestade para o céu sobre os cavalos em carros de fogo.

No entanto, os reis que haviam retornado quiseram saber o número daqueles que tinham ficado com Henoc. Foram ao lugar de onde ele havia partido em direção ao céu e lá encontraram a terra coberta de neve. Falaram uns aos outros:

-Afastemos a neve, vejamos se os homens foram com Henoc, ou se estão sob a neve.

Encontraram a terra coberta de neve e sobre a neve havia grandes pedras do tipo das pedras de neve. Afastaram a neve e encontraram os homens que haviam ficado com Henoc, mortos. Procuraram por Henoc, mas este não estava lá, pois havia partido para o céu.

Henoc vivera trezentos e sessenta e cinco anos. Foi no centésimo décimo terceiro ano de Lamec, filho de Matusalém, que Henoc partiu para o céu. Depois disto os reis da terra levantaram-se e proclamaram rei, Matusalém em lugar de seu pai. Matusalém agia como agradava ao Senhor e em tudo procedia como Henoc, seu pai, lhe ensinara.

Henoc chegou vivo ao jardim do Éden e passou durante 300 anos no paraíso, junto com os anjos de Deus; deles aprendeu a reconhecer a passar do tempo e os astros e muita sabedoria lhe foi concedida. Depois disto (os reis da terra) o Senhor o transformou em anjo e ele tornou-se Metatron o grande escrivão e príncipe do mundo.

De Henoc-Metatron, no primeiro mundo que procedeu ao mundo de Adão, Henoc, filho de Jared, mantinha uma posição elevada. Depois, o Senhor o trouxe ao mundo dos filhos de Adão para que lhes servisse de exemplo em retidão e clemência.

Ele deveria experimentar as criaturas mas elas não sustentaram a prova e escolheram o caminho da morte e não da vida. Então Henoc disse ao Senhor:

-Esta estirpe é toda de malfeitores, nenhuma fé habita em seu coração,pretendes exterminá-los, então por que me trouxeste a eles? Nenhum dos seus maus impulsos se apega a mim, portanto torna-me, Senhor do universo, um de teus criados! No primeiro mundo, no mundo da misericórdia, o qual termino e do qual eu vim, todos eram grandes e todos eram anjos e eu era grande com eles. Se agora não sou como um anjo uma vez que vi muitos pecadores, deixai-me ao menos permanecer entre os anjos e não mais entre o povo miserável e réprobo.

O corpo de Henoc tornou-se então um facho de fogo como o corpo de Elias e ele foi transportado para o meio dos anjos. Metraton, o príncipe do mundo que alimenta os príncipes de todos os povos da Terra é o menino Henoc. A ele foi destinada a alma de Adão, o primeiro homem que o deixou antes dele ter pecado. Assim Henoc chegou vivo ao jardim do Éden. Quando o sumo-sacerdote Ismael, filho de Eliseu partiu para o céu , o senhor fez Metatron seu príncipe interno ao seu encontro.

Quando Ismael perguntou a Metatron: “como ter chamas?” Respondeu:

-Possuo setenta nomes pelo número das setenta línguas e pelo número de nomes Rei dos Reis. O rei todavia, chama-se menino.

O sacerdote continuou:

-Mas por que és denominado com o nome do Senhor, por que és maior que todos os príncipes, mais alto que todos os reis, mais amado que todos os servos, mais estimado do que todos os guerreiros? E porque te chamas menino nas alturas?

Então Metatron respondeu-lhe:

-Eu sou o que era antes Henoc, filho de Jared. Quando a estirpe do dilúvio pecou diante de mim e do senhor disse-lhe:

“desaparece da nossa frente, não queremos saber de ti” - o Senhor afastou a mim Henoc, filho de Jared.

Eu deveria testemunhar contra eles no céu, para que não se diga:

“o Deus é misericordioso, é desapiedado, pois o que fizeram os homens de mal, em que pecaram as suas mulheres, filhos e filhas, seus cavalos e jumentos, seu gado e os pássaros, para que tivessem que perecer nos dias do dilúvio?”

Mas Aza e Azael falaram contra mim no céu. Quando me viram chegar, disseram,

“Senhor do universo! Que tipo é este que vem para as regiões superiores?”

O senhor então disse:

-Quem sois para interromper? A este homem desejo fazer príncipe e regente nas alturas celestiais.

Em seguida todos os anjos levantaram-se e vieram ao seu encontro, curvaram-se diante de mim e falaram:

-Bem aventurado és tu e bem-aventutrados aqueles que te geraram, pois agradas ao Senhor.

Mas uma vez que sou, em dias, luas e anos o mais jovem entre as hostes, finalizou Metatron, sou chamado de menino.

Quando o santíssimo, louvado seja o seu nome, retirou Henoc, filho de Jared o qual mais tarde foi chamado de Metatron da estirpe do dilúvio e o fez príncipe interno, carregou-o nas asas de sua glória, a abóbada superior e o levou para o grande palácio que se encontra nas alturas de Arawot, lá está o trono de sua glória, lá está sua carruagem, lá estão os exércitos raivosos e tropas furiosas, lá acampam anjos e querubins ardentes como fachos e rodas, como carvões candentes chamejantes servos irradiantes “chaschmalins” – seres brilhantes – e fúlgidos serafins.

E o Senhor decidiu que Henoc devia servir diariamente ao trono de sua glória. Mas ainda antes que o senhor fizesse Metatron servo de teu trono, ele lhe abriu as trezentas mil portas da sabedoria, as trezentas mil portas da razão as trezentas mil portas da inteligência, da paz, da força, do poder, da coragem, da complacência, da misericórdia, do amor, do ensinamento, da clemência, da humildade e as trezentas mil portas do temor à Deus.

E depois do Senhor prover Metatron, seu príncipe interno, com todas essas qualidades, colocou sua mão sobre ele e o abençoou-o com 365 mil bênçãos e o tornou grande e escelso.

Deu-lhe 72 asas, 36 à direita e 36 à esquerda e colocou-lhe mil olhos.

O Senhor também fez-lhe um trono semelhante ao trono de sua glória. Sobre o trono estendeu um tapete repleto de brilho e luz semelhante ao de seu Seu próprio trono, no qual estava tecido todo o brilho e toda a luz do mundo. Colocou o trono na entrada para o sétimo terraço e sentou Metatron em cima. E um brado ecoou de céu a céu:

- Nomeei a Metatron, meu servo príncipe e poderoso sobre todos os príncipes do meu reino e sobre todos os filhos do céu, com exceção dos oito violentos e terríveis, que são chamados com o nome de Deus após o nome de seu rei. E cada anjo que desejar algo de mim, deverá antes procurar a Metatron e falar com ele. No entanto, cada palavra que ele vos disser em meu nome deverei guardar e obedecer.

O senhor começou e falou:

-Formei os membros de Metatron um a um. Preparei-os no dia de Adão, o primeiro homem, mas quando vi chegar a estirpe do dilúvio, retirei minha glória do meio e subi ao céu ao som de cornetas, depois retirei deles Henoc, filho de Jared e o trouxe para cima com brados de guerra e claras trombetas. Fiz de Henoc, o Metatron, guardião de todos os meus tesouros e preciosidades que estão ocultas nas abóbodas e entreguei-lhe as chaves na mão. Elevei-o a príncipe sobre todos os príncipes e o nomeei servo junto ao trono de minha glória. E a seu cargo estava ainda abrir os vestíbulos de Arawot, atar as coroas ao redor das cabeças dos animais sagrados, adornar de força e magnificência as faustoras rodas, vestir luxuosamente os querubins, dar brilho e luz aos pilares de fogo, envolver em orgulho os serafins chamejantes, cingir os chaschmalin com luz, para mim aprontava diariamente o assento, quando eu queria escalar o trono da glória minha a fim de abraçar todas as alturas do meu poder. Transformei sua carne num facho de fogo e os membros do seu corpo em braseiro ardente. Tornei seu aspecto como um raio e fiz brilhar para sempre a luz de suas pálpebras. Fiz o brilho do seu semblante ser como a luz do Sol, fiz seus olhos brilharem como brilha o trono de minha glória. Depois o envolvi em magnífica veste todo o brilho e fausto, vesti-lhe um manto cheio de altivez e glória. Coroei a cabeça de Metatron com pesados anéis de 500 milhas de tamanho, emprestei-lhe da grandeza do fausto e do brilho do meu trono, chamei-o com o meu nome Senhor, o pequeno, o príncipe do semblante. Fiz com que soubesse de todas as coisas ocultas e coloquei seu trono ante a entrada do meu palácio, ali deveria sentar-se e proferir julgamentos sobre a parentela celestial. Os príncipes dos anjos tinham primeiro que lhe pedir licença e em tudo fazer sua vontade.

No início, Elohim criou Metatron. Metatron foi o início de toda a criação e ele precedeu ao céu e sua hoste. Pois este é o homem a quem Deus criou à sua imagem e ao qual deu a forma celestial, pura, íntegra.

3.dos anjos caídos:

Dois anjos caíram das alturas: Aza e Azael, os quais, anteriormente achavam-se próximos à gloria de Deus. Desejaram as filhas da Terra e haviam corrompido seus caminhos. Então Deus suspendeu-os entre o céu e a terra.

Os discípulos perguntaram ao seu mestre Rabi Josef:

-Quem é esse Azael?

Então ele contou-lhe:

Quando a estirpe do dilúvio começou a servir a ídolos estranhos, o senhor ficou muito magoado. Logo Schemchazai e Azael levantaram-se e disseram, “o Senhor do Mundo não dissemos quando criaste o mundo, o que é o homem para que te lembres dele? O senhor perguntou e o mundo o que seria dele?” Os anjos responderam:

-Somos suficientes para o mundo.

O senhor disse:

-Se habitásseis a terra, satã também teria vos dominado e seríeis mais obstinados ainda do que são os homens.

Os anjos falaram:

-Senhor do mundo, dá-nos a liberdade , queremos morar lá embaixo junto às criaturas, e verás como manteremos santo teu nome.

O senhor disse:

-Pois então descei e habitais com elas.

Logo depois os anjos pecaram com as filhas dos homens, que eram belas. Não puderam reprimir seus desejos.

Schemchazai viu uma moça de nome Ishtar; ergueu seus olhos para ela e disse:

- Escuta-me.

Ela, porém respondeu:

-Não te ouvirei antes que ensines a pronunciar o verdadeiro e legítimo nome de Deus, através do qual sobes ao céu quando o invocas.

Então o anjo ensinou-a a pronunciar o Nome. A virgem pronunciou o nome e subiu ao céu e não tinha pecado.

O Senhor falou:

-Já que ela se livrou do pecado, vamos colocá-la entre as sete estrelas para que sua recordação permaneça eterna. Assim Ichtar foi para a estrela da virgem.

Quando então Schemchazai e Azael tornou-se senhor, viram que não haviam conseguido a virgem, partiram e tomaram mulheres e geraram filhos. Estes foram Hiva e hija.

Azael tornou-se senhor sobre as vestes coloridas e sobre jóias das mulheres, que levam os homens a pensamentos pecaminosos.

Metatron então enviou um mensageiro a Schemchazai o qual falou-lhe :

-O Senhor quer destruir o seu mundo e quer ocasionar um dilúvio.

Schemchazai começou a chorar, pois tinha pena do mundo. Também dos seus filhos. Pois cada um deles comia diariamente mil camelos e mil touros.

Na seguinte, ambos Hiva e Hija tiveram cada qual um sonho. Um viu uma grande pedra estendida como uma mesa e encima dela estava gravada a imagem de terra e desenhada em fileiras de letras; então apareceu um anjo do céu que tinha nas mãos uma faca com a qual arranhou e raspou as fileiras e não deixou sobrar nada a não ser quatro sinais.

O segundo viu um grande jardim magnificamente plantado, com toda a espécie de árvores. Mas havia anjos no jardim que seguravam machados nas mãos com os quais derrubavam as árvores até que não restou senão uma que tinha três galhos.

Quando os dois acordaram, estavam assustados e foram ao Pai. Este disse-lhes:

- O Senhor quer trazer um dilúvio sobre a terra e não restará ninguém exceto Noé e seus filhos do número de três.

Então os dois começaram a gritar e a chorar. Mas seu pai falou:

-Não vos aflijeis, os vossos nomes não desaparecerão do mundo; enquanto forem talhados os rochedos, carregadas as pedras e conduzidos os navios, vossos nomes Hiva e Hija serão invocados como se fossem brados de um trabalho rítmico.

Schemchazai penitenciou-se e pendurou-se entre o céu e a terra a cabeça para baixo e os pés para cima e assim permaneceu até hoje(o preguiçoso do Tarô).

Azael porém, não se penitenciou e até hoje sua obra ainda consiste em seduzir os filhos dos homens ao pecado através de vestes coloridas das mulheres. Por este motivo Israel oferecia um sacrifício no dia da expiação: um bode era sacrificado ao Senhor para que pudesse perdoar os filhos dos Israel, o outro porém, que carregava os pecados de Israel, era enviado a Azael no deserto.

Este é o Azael (AZAZEL) que consta na bíblia, números cap.16, vers.8.

Aza e Azael são os dois poderosos que difamaram o homem perante o Senhor e deles disseram:

-Por que criaste este que somente cometerá pecado e te encolerizará?

O Senhor os fez cair na terra e eles se tornaram aqueles que são chamados os filhos de Deus.

Tomaram como mulheres as filhas dos homens, às quais eles desejavam; são também todos da descendência de Caim. Pois acerca de Caim consta:

“Alcancei um homem com o Senhor; e realmente Caim e sua descendência eram fortes e poderosos e possuíam em si algo de criaturas superiores. Mas depois que pecaram, receberam corpos e o mau impulso começou a dominá-los, de modo que não eram mais seres sobrenaturais”.

Quando depois quiseram voltar novamente ao céu e invocaram o nome sagrado, foram repudiados. Suas cabeças foram feridas por lascas de ferro e eles caíram na terra entre as montanhas escuras.

Aza é cego de um olho, seu olho direito está fechado e só o esquerdo está aberto. Encontra-se em eterno cair e afundar, porém não cai sobre a terra, mas fica suspenso no ar a três palmos da superfície para que não encontre sossego. E o olho fica aberto apenas para que veja sua própria queda e se aflija ainda mais por isso.

Azael porém, tem os dois olhos abertos e está pendurado pelas pálpebras. Este é o castigo por que seguiu seus olhos. Aza e Azael haviam traído os segredos do céu.

O Senhor perfurou suas narinas e os perdurou nas montanhas do Oriente. Não vêem o Sol e nenhuma brisa roça suas faces.

  1. A geração ímpia (gigantes)

Aos gigantes, eram dados sete nomes:





Eram chamados de terríveis pois quem os via era acometido de terror, eram chamados de gigantes pois quem os via ficava de coração mole como cera; eram chamados de potentes pois só as coxas mediam 18 côvados. Eram chamados de astutos pois conheciam todas as artimanhas de guerra, eram chamados de enormes pois conseguiam alcançar a esfera solar, eram chamados de errados pelos delitos que haviam corrompidos a terra.

Em menos de uma hora atravessavam o mundo inteiro de uma extremidade a outra e pelo caminho arrancavam os cedros. Os leões e as panteras nada mais eram para eles do que um pêlo no corpo. Alguns deles colocavam o pé num poço da profundidade e assim o fechavam alguns colocavam a mão numa janela do céu e a encobriam. Olhavam para o Sol e para a Lua e praticavam com eles a arte de vaticinar. Eram eles aqueles quem está escrito:

“Eles renegaram a luz”

Eram duros de coração, rebeldes e falavam perante o Senhor:

-Sai de nossa frente, nada queremos saber acerca dos teus caminhos; quem é todo poderosos para que tenhamos de servi-los? Em que seremos melhorados se o invocarmos?

Mas o que os conduzia à revolta? Foi somente a petulância. Pois viam seus filhos e seus filhos cresceram até a quinta e sexta geração e não morriam, apenas semeavam uma vez a cada 40 anos mas tinham alimento todo o tempo.

O Senhor falou-lhes:

-Então continuais a transgredir? Pois bem, a partir de agora devereis colher apenas tanto quanto semeardes. Gerareis filhos e os levareis às sepulturas. A geada e o calor virá sobre vós e vos trarão febre e consunção; os nossos sofrimentos jamais terminarão e os vossos corpos serão torturados para sempre. Jamais tereis sossego, quer de dia, quer de noite e o fogo e a geada vos aniquilarão.

O senhor criou o seu mundo e o terminou. Deu a terra aos filhos dos homens. Quando então veio a geração do dilúvio e viu a paz que reinava sobre a terra tornou-se petulante. Não havia entre eles ninguém que fosse estéril, homem ou mulher. Suas mulheres não necessitavam de parteiras e seu gado nunca era atacado de epidemias.

Sua semente estava segura ao seu redor e seus rebentos estavam com eles. Deixavam seus filhos saírem como um rebanho e seus meninos pulavam. Seu touro fecundava e não deixava cair seu sêmen. Suas vacas davam cria e não pariam antes do tempo; sua casa tinha paz e o açoite de Deus não estava sobre eles.

Já que os homens gozavam de paz, tornaram-se petulantes, transgrediram perante o Senhor dizendo :

-O que é o Todo-poderoso, para que devamos servi-lo?

O Senhor falou:

-Aniquila-los-ei para revelar-lhes!

Ao tempo do dilúvio as espigas de trigo assemelhavam-se aos cedros do Líbano, os homens não precisavam semear nem colher pois o vento soprava e descascava os grãos de maneira que apenas tinham que juntá-los.

Mas já que os homens erraram, o Senhor falou:

-Esta agora será a ordem do mundo: sementeira e colheita, geada e calor, verão e inverno! Não terão sossego nem de dia e nem de noite.

Nos dias do dilúvio as mulheres ficavam grávidas apenas por três dias e logo depois pariam. Dizem alguns que após um dia as crianças já estavam completas e que pulavam diante da mãe. Assim que uma mulher dava a luz, imediatamente falava ao filho:

-Vai e traz a tesoura para que eu corte teu coração umbilical!

Se era noite, ela dizia:

-Levanta-te e acende a luz.

Conta-se também a respeito de uma mulher que durante a noite, deu à luz um filho e disse ao recém-nascido:

-Levanta-te e acende a luz para que eu corte teu cordão umbilical.

O menino levantou-se mas a caminho, colocou-se com o diabo Schandom, o príncipe dos espíritos e ambos começaram a lutar.

O galo então cantou e a manhã despontou. De manhã porém, termina o poder de todos os espíritos como também está escrito:

“O Sol brilha e eles desaparecem”.

E o diabo disse ao recém nascido:

-Vai e vangloria-te diante de tua mãe, pois se o galo não tivesse cantado eu teria te dominado e morto.

O recém nascido respondeu ao príncipe dos espíritos:

-Vangloria-te tu com tua mãe e agradece a Deus que o meu cordão umbilical ainda não esteja cortado pois se estivesse eu teria te vencido e matado.

De Set, procederam e contaram-se todas as gerações de ímpios dos malfeitores e transgressores os quais renegaram o Senhor e disseram:

-Não esperamos teu pingo de chuva e nada queremos saber de teus caminhos.

As gerações de Caim andavam nuas e o homem e a mulher eram como animais. Tiravam as roupas e a jogavam no chão. Praticavam várias espécies de prostituição e o homem mantinha relação ilícita com sua mãe, sua filha a mulher do seu irmão abertamente nas ruas. Se voltaram a todos os pensamentos e fantasia de seus corações somente para isso.

E os anjos seguiam com os olhos, as filhas de Caim que andavam nuas com as sobrancelhas pintadas e foram seduzidos por elas. Mas se os anjos são na verdade chamas de fogo, quando se unem com as filhas dos homens, os corpos delas não se queimam? Não, pois quando caíram da altura de sua santidade tornaram-se iguais aos homens e tinham corpos terrenos.

Deles nasceram mais tarde os gigantes os quais geraram filhos e multiplicaram-se como os répteis.

Nascia-lhes seis de cada vez.

E falavam:

-Quando virem as águas do dilúvio eis que somos de grande estatura e a água apenas alcançará o nosso pescoço. Quando se elevarem as águas da profundidade eis que nossos pés podem cobrir as profundezas.

Mas o que fez o senhor?

Tornou as águas de profundidade fervente de modo a queimar a carne dos pés e a desprender deles a pele.

A geração do dilúvio nada tinha aprendido da geração de Henoc. Andavam atrás das filhas dos homens, tomavam como esposas e mulheres as que desejavam.

Se uma donzela era enfeitada para o marido aparecia o príncipe e dormia primeiro com ela.

Alguns consta, juntavam suas camas e a de seus vizinhos e trocavam as mulheres entre si. E também sobre as mulheres consta, se ia ao mercado e via um jovem que lhe agradava, deitava-se com ele e o que paria tornava-se como o procriador, um dos poderosos.

Na época do dilúvio todos estavam corrompidos, homens e animais, o cão juntava a loba, o galo a pavos, o cavalo a jumenta, o jumento a serpente e a serpente ao pássaro.

A própria terra praticava prostituiçáo naquele tempo. Colocava-se nela a semente do trigo e ela produzia cardo; esse cardo que cresce ainda hoje porém justamente da época anterior ao dilúvio.

6. A arca de Noé (pág 90)

Também Og, um dos hostes dos anjos caídos veio e sentou-se num dos degraus da escada que levava à arca. Jurou a Noé e a seus filhos ser seu servo por toda a eternidade.

O que fez Noé?

Fez um orifício na arca e assim lhe fornecia alimento. Desta forma, Og permaneceu vivo.

Outros dizem que Og foi o único dos humanos-gigantes a escapar do dilúvio. Sentou-se a cavaleiro no teto da arca e ela se abriu por sobre, na cabeça como um guarda-chuva e ele alimentava-se da comida de Noé. Contudo, não foi salvo em virtude de seus méritos mas para revelar a grandeza de Deus aos futuros habitantes da terra. Estes deveriam dizer:

-Eis um dos que restou daqueles que existiam antes do dilúvio, daqueles que se sublimaram contra o Senhor e se afogaram...(pág 90)

Segundo o livro, “A bíblia de Jerusalém”, edições paulinas temos :

Gênese capitulo 6:

Quando começaram a ser numerosos sobre a face da terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas e tomaram-nas como mulheres todas as que lhes aguardaram.

Iaweh disse:

-Meu espírito não se responsabilizará indefinidamente pelo homem pois ele é carne. Não viverá mais que cento e vinte anos.

Ora, naquele tempo e também depois, quando os filhos de Deus se uniram às filhas dos homens, estas lhes deram filhos, os Nefilins que habitaram sobre a terra. Estes homens famosos foram os heróis gigantes dos tempos antigos...

Nota: episódio difícil de tradição javista(Jeová).

O autor sagrado se refere a uma lenda popular sobre os gigantes, em hebreu: nefilins que seriam os titãs orientais nascidos da união de mortais e seres celestes.

Sem se pronunciar sobre o valor dessa crença e velando seu aspecto mitológico, ele apenas menciona a lembrança de uma raça insolente de super-homens como um exemplo da crescente perversidade que motivou o dilúvio.

O judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos consideraram nesse termo filhos de Deus, os anjos culpados.

Mas, a partir dos séculos IV em função de uma noção mais espiritual dos anjos os padres interpretaram comumente:

Os filhos de deus como a linhagem de Set e as filhas dos homens a linhagem de Caim.

Deuteronômio 1,28.

Nota: os enacins, assim como os emins, os rafains e os zanzumins( zuzins são os nomes legendários dos primeiros habitantes da Palestina e da Transjordänia). Eram relacionados aos fabulosos nefilins e a eles eram atribuídos os monumentos megalíticos. Os enacins constituíam ainda no tempo de Josué, uma aristocracia na montanha de Hebron e na região marítima. Os rafains tinhan-se mantido na terra de Basã mas até mesmo na Judéia é guardada pelo vale dos rafains.

Manuscritos do Mar Morto .

Título: “a guerra dos filhos da luz com os filhos das trevas”

Pergaminho numero 7.

Escrito em aramaico. Foi considerado apócrifo. Manuscrito do templo, encontrado na gruta XI, várias partes narrados em primeira pessoa como sendo deus falando diretamente a Moisés, orientando-o inclusive sobre a construção de um templo novo em Jerusalém.

Gênese judaica

Aconteceu que, quando os homens começaram a se multiplicaram na face da terra e lhes nasceram filhas, os anjos viram que as filhas dos homens eram formosas e casaram-se com todas as que escolhiam.

Naqueles dias os nefilins habitaram a terra. Também depois disso, quando os anjos e as filhas dos homens se casavam e tinham filhos. Eles eram os homens valentes e na antiguidade os homens de renome.

Quando Deus viu que era grande a maldade dos homens sobre a terra e que seus pensamentos sempre tendiam para o mal, arrependeu-se de ter feito o homem na terra. Ficou triste então disse o senhor:

-Farei desaparecer da face da terra o homem que criei e o homem e o animal e o réptil e a ave por quanto estou arrependido de tido feito e criado.

Proll editora gráfica ltda.

Brás

***exemplos de palavras judaicas e árabes***

Anjo= malach (hebreu)/ malakun (árabe)

Gigante = anaquen hebreu/ inlaquen árabe

domingo, 23 de março de 2014

biblioteca gnóstica

http://www.bibliotecagnostica.net/primer_diseno/Medicina43.htm